O ano de 2011 tem sido muito especial e extremamente produtivo. Em janeiro deste ano resolvi inscrever um projeto para um edital da secretaria de cultura de São Paulo, o VAI - Programa de Valorização de Iniciativas Culturais.
Para mim uma fotografia só é fotografia quando ela diz alguma coisa por si só, quando ela leva o observador à um questionamento, à uma discussão, e isso independe de qualidade técnológica. O olhar é o maior responsável pela alma da fotografia. Perceba que o olhar de que falo, é muito mais do que a ação de enxergar, é a porta de entrada de toda informação necessária para você construir um pensamento. A fotografia começa aí, eu diria até que a fotografia é basicamente isso, pois independente da área para qual ela servirá, o olhar é a principal característica para tornar um trabalho bom ou simplesmente um pedaço de papel com uma imagem qualquer nele afixada. O papel fotográfico deve ser visto como um livro ou um quadro: o físico está ali, pode ser fácil ou difícil de ler/ver, pode ser bonito ou feio esteticamente falando, mas a coisa mais importante é o conteúdo, como o autor/pintor se expressa, como ele enxerga as coisas ao seu redor.
Partindo deste conceito de fotografia resolvi escrever o projeto "Um novo olhar, um mesmo lugar" que visa trabalhar o olhar dos moradores para o seu bairro. Por que o bairro? Porque é um local óbvio, um lugar onde todos nós passamos diariamente e simplesmente nem percebemos as mudanças que nele acontece. Não percebemos suas potencialidades, sua beleza, seus detalhes.
O vício que temos em enxergar apenas o pejorativo, os malefícios proporcionado pelo lugar onde moramos e os problemas sociais da forma mais superficial possível impede que enxerguemos as coisas boas que podemos absorver destes lugares, impedem também que saibamos o real motivo de todos esses problemas e o pior, impede que possamos criar ou ao menos enxergar soluções para eles.
Posso dizer que o motivo principal para este projeto ter sido criado fora a superficialidade do nosso olhar, como indivíduo, como sociedade. Sempre discuti essas questões com as pessoas que estão em minha volta e uma delas, a Elisabeth - uma das colaboradoras deste blog - sempre possibilitou que essa ideia amadurecesse contribuindo com suas opiniões de grande valia para mim.
Dessa forma nos juntamos e decidimos então que escreveríamos este projeto e tentaríamos o Edital do VAI 2011, começa assim uma verdadeira batalha contra o tempo, já que havia pouco tempo para estruturar este projeto e viabilizar as pessoas que dele fariam parte. Em cerca de um mês conseguimos reunir uma equipe de competência ímpar: Tom Lisboa criador das Polaróides (In)Visíveis, Mauro bonfim coordenador do Centro de Pesquisa e Documentação CPDoc São Miguel da Fundação Tide Setúbal, Diego Sinais sócio da Perficio Comunicação e a dupla da agência experimental MOZ Publicidade: Pamela Lima e Guilherme Ramalho (Planner e Criação - respectivamente).
Após muita apreensão durante o processo de seleção do edital veio então a boa notícia: O PROJETO FORA APROVADO.
O projeto contará com um workshop - acontecerá na Biblioteca Raimundo de Menezes - que vai trabalhar justamente o descondicionamento do olhar. Após o curso, os participantes realizarão uma saída fotográfica para colocar em prática esse descondicionamento. As fotos produzidas por eles, serão expostas no Mercado Municipal Drº Américo Sugai, onde o público poderá escolher duas imagens para virarem os cartões postais de 2011, neste caso de São Miguel Paulista - primeiro bairro onde o projeto será realizado.
"Um Novo Olhar, Um Mesmo Lugar" contará com um blog onde será possível acompanhar todas as etapas deste processo. O mesmo será inaugurado em Junho, mês de lançamento do projeto. Acompanhe e participem, exercitando seu olhar e expressando por aqui e futuramente no blog do projeto.




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