Dos relacionamentos dela levou bem mais lições do que com os seus. Como se aprende com um filme assistido ou um livro lido, a vida de terceiros é uma metáfora (ruim, fragmentada, estúpida e inválida) da nossa, também fragmentada, não tão ruim quanto pensamos e bem mais estúpida do que gostaríamos. Vai ver que aprender é um eterno observar de fora e nossas experiências importam apenas aos outros, que vão catalogá-las, registrá-las em filmes coloridos de processos químicos baratos e deixar que fluam em constelações de imagens.
Para Dominic viver é registrar, incessantemente. Como um colecionador onde (quase) tudo é iluminado ele arruma a mesa milimetricamente consciente do papel de cada móvel no feng-shui da casa. Lê sobre liderança e segredos para o sucesso, um jeito de se ter assunto numa conversa média, médio-concentrado como as pessoas ficam ás vezes dentro do elevador. O tempo aqui não é dilatado, mas as pessoas o são, então tenta retirar o máximo desses personagens estufados que o cercam nas primeiras horas da manhã. Representa seu papel e é espectador da sua vida, quase simultaneamente, uma forma de observar de fora, forma esta que aprendeu quando outros personagens deixaram de fornecer material válido como aprendizado. Para Dominic, mentir sobre si mesmo não deixa de ser uma forma de auto-ajuda.
Representar parece ser mais natural do que agir e a arte, por vezes, bem mais real do que a própria vida.
"Anotações de um trabalho" é uma série de textos, trechos, crônicas e frases que falam sobre tempo, registro e memória ( fotográfica ou não, real ou não). Originalmente feita para um trabalho final sobre a exposição Geração 00- Nova fotografia Brasileira, vai aqui publicada picada, fragmentada, como às vezes vêm as lembranças.





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