Eu sei que vocês vão ler isso que eu vou escrever agora e dizer: quem essa menina pensa que é pra falar isso?
Bom, vale dizer, então: eu sou a Ana P. e já deveria ter dito isso pra vocês há muito tempo, mas hoje eu tava aqui pensando na vida, e especificamente nos últimos cinco meses dessa minha curta vida, e poxa, se tornou tão claro.
A vida, essa coisa estranha que não sabemos definir, passa rápido demais.
Eu estou quase completando 28 anos nessa indústria vital, e ainda assim, com tão pouco tempo de rodagem, eu posso afirmar que passa rápido demais. Porque é verdade, eu já tenho 27 anos, mas só tenho 27 anos. Eu já vivi tanta coisa e não vivi quase nada. Eu sou capaz de lembrar de flashes da minha vida, são flashes curtos mas que, devido à minha porca memória, não tenho absoluta certeza que aconteceu.
Eu só tenho certeza absoluta de ter acontecido as coisas que mamãe e papai fizeram questão de documentar. Não porque eu tenho complexo de São Tomé ou seja qual for o santo que duvidou de deus. Não, não sou assim. Mas é que eu tenho uma mente criativa demais, tão criativa que eu não duvido que ela tenha inventado uma infância. Daí a parte de só ter certeza absoluta do que papai e mamãe documentou.
Eles não escreveram um texto e registraram em cartório, isso daria um trabalho danado, porque nós vivemos em um dos países mais burocráticos desse mundo. Mas eles documentaram através de algo que não exige burocracia nenhuma. Eles gravaram esses pequenos pedaços da minha infância num papel fotográfico.
Daí que por esses papéis fotográficos eu sei que eu e meus irmãos adorávamos brincar numa pracinha que ficava perto da primeira casa que eu morei. Sei também que nós íamos sempre ao Parque Ecológico do Tietê, e levávamos nossa bola gigante e colorida. São essas fotos que me fazem lembrar que mamãe não tinha muita noção de moda, ou que a moda daqueles tempos era bem estranha, pois só isso justifica as roupinhas que eu usava.
Tenho uma foto que pra mim é lenda: papai ajoelhado, de braços abertos na beiradinha do mar, esperando eu alcançá-lo pra me levar pra água [eu tinha muito muito medo do mar; hoje sei que não era medo, era esse enorme respeito que levo no peito até hoje]. Tem fotos de gente que eu já não lembro mais, mas que tá lá, documentado: fizeram parte da minha vida.
Esses documentos ajudam a lembrar quem um dia eu fui, e quando eu mudar mais uma vez, lá estarão as fotos do que hoje é presente, e amanhã será passado. Mostrando que aos 27 anos eu não sou/era tão velha assim, e que ainda teria muito mais pela frente. E mais mais mais pra frente...
Vejam bem: eu não tenho autoridade pra falar que a vida passa rápido demais. Mas o meu álbum de fotos da infância tem. Aposto o que for que se você conversar rapidinho ali com o seu, ele também terá umas poucas e boas pra te contar. Arrisque.
Bom, vale dizer, então: eu sou a Ana P. e já deveria ter dito isso pra vocês há muito tempo, mas hoje eu tava aqui pensando na vida, e especificamente nos últimos cinco meses dessa minha curta vida, e poxa, se tornou tão claro.
A vida, essa coisa estranha que não sabemos definir, passa rápido demais.
Eu estou quase completando 28 anos nessa indústria vital, e ainda assim, com tão pouco tempo de rodagem, eu posso afirmar que passa rápido demais. Porque é verdade, eu já tenho 27 anos, mas só tenho 27 anos. Eu já vivi tanta coisa e não vivi quase nada. Eu sou capaz de lembrar de flashes da minha vida, são flashes curtos mas que, devido à minha porca memória, não tenho absoluta certeza que aconteceu.
Eu só tenho certeza absoluta de ter acontecido as coisas que mamãe e papai fizeram questão de documentar. Não porque eu tenho complexo de São Tomé ou seja qual for o santo que duvidou de deus. Não, não sou assim. Mas é que eu tenho uma mente criativa demais, tão criativa que eu não duvido que ela tenha inventado uma infância. Daí a parte de só ter certeza absoluta do que papai e mamãe documentou.
Eles não escreveram um texto e registraram em cartório, isso daria um trabalho danado, porque nós vivemos em um dos países mais burocráticos desse mundo. Mas eles documentaram através de algo que não exige burocracia nenhuma. Eles gravaram esses pequenos pedaços da minha infância num papel fotográfico.
Daí que por esses papéis fotográficos eu sei que eu e meus irmãos adorávamos brincar numa pracinha que ficava perto da primeira casa que eu morei. Sei também que nós íamos sempre ao Parque Ecológico do Tietê, e levávamos nossa bola gigante e colorida. São essas fotos que me fazem lembrar que mamãe não tinha muita noção de moda, ou que a moda daqueles tempos era bem estranha, pois só isso justifica as roupinhas que eu usava.
Tenho uma foto que pra mim é lenda: papai ajoelhado, de braços abertos na beiradinha do mar, esperando eu alcançá-lo pra me levar pra água [eu tinha muito muito medo do mar; hoje sei que não era medo, era esse enorme respeito que levo no peito até hoje]. Tem fotos de gente que eu já não lembro mais, mas que tá lá, documentado: fizeram parte da minha vida.
Esses documentos ajudam a lembrar quem um dia eu fui, e quando eu mudar mais uma vez, lá estarão as fotos do que hoje é presente, e amanhã será passado. Mostrando que aos 27 anos eu não sou/era tão velha assim, e que ainda teria muito mais pela frente. E mais mais mais pra frente...
Vejam bem: eu não tenho autoridade pra falar que a vida passa rápido demais. Mas o meu álbum de fotos da infância tem. Aposto o que for que se você conversar rapidinho ali com o seu, ele também terá umas poucas e boas pra te contar. Arrisque.





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